Trump impõe 'avanço autoritário' global e coloca direitos humanos em perigo, diz Human Rights Watch
04/02/2026
(Foto: Reprodução) O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa enquanto se dirige ao helicóptero Marine One para viajar a Iowa
REUTERS/Jonathan Ernst
O primeiro ano do novo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos representou um "avanço autoritário" ao mundo, indica relatório divulgado nesta quarta-feira (4) pela ONG internacional Human Rights Watch.
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A conclusão faz parte do relatório mundial de 2026 que analisa a situação dos direitos humanos em mais de cem países.
No documento, a HRW questiona se "os direitos humanos sobreviverão à era Trump" e afirma que o mandato do presidente dos Estados Unidos se destaca por um “flagrante desrespeito” e por “graves violações” desses direitos.
Além de Trump, o relatório cita Vladimir Putin, da Rússia, e Xi Jinping, da China, como governantes que interferem e ameaçam a ordem mundial. Segundo a ONG, 72% da população mundial vivem sob regimes autoritários.
Trump: perigo global
O relatório elenca as ações de Trump que colocam "em perigo" o sistema global de direitos humanos. São citados:
ataque à Venezuela e captura de Nicolas Maduro;
deportação e envio de imigrantes para prisões em El Salvador, com ataques de agentes federais de imigração, o ICE (na sigla em inglês);
ataque à independência judicial dos Estados Unidos;
minar a confiança no processo eleitoral;
"corroer a privacidade" e usar o poder do governo para "intimidar oponentes políticos";
retirar os EUA do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas;
"destruir" programas de assistência alimentar e subsídios à saúde;
retirar proteções a pessoas trans e intersexuais, entre outras ações.
"A política externa de Trump abalou os alicerces da ordem internacional regida por leis que buscam promover a democracia e os direitos humanos, mesmo que de forma imperfeita", conclui a ONG no relatório.
O documento destaca que Trump "encorajou líderes autoritários e minou aliados democráticos".
"Ao mesmo tempo em que repreendeu alguns líderes eleitos da Europa Ocidental, ele e funcionários de alto escalão expressaram admiração pela extrema direita nativista da Europa", cita a Human Rights Watch.
Como os países devem reagir?
A ONG também aponta caminhos para conter a onda autoritária. De acordo com a análise, resistir a esse avanço exigirá uma estratégia conjunta da sociedade civil, das instituições e dos governos.
"Para enfrentar essa tendência, os governos que ainda valorizam os direitos humanos, juntamente com movimentos sociais, sociedade civil e instituições internacionais, precisam formar uma aliança estratégica para conter retrocessos", afirma o diretor-executivo da HRW, Philippe Bolopion.
Uma resposta possível, segundo o documento, seria uma oposição mundial à postura de Trump e dos líderes de Rússia e China para "preservar a ordem internacional regida por leis".
"É fundamental que democracias se unam em uma aliança estratégica para preservar a ordem internacional baseada em regras e em tratados, cujo objetivo sempre foi a resolução pacífica de conflitos e a ação coletiva para responder aos desafios da humanidade, como a mudança climática", afirma César Munõz, diretor da HRW no Brasil.
Segundo ele, o Brasil tem "papel essencial, pelo seu peso internacional como uma voz importante do Sul Global e sua tradição de defesa de valores democráticos e do multilateralismo".
Brasil: enfrentamento a facções e preocupação com segurança
No capítulo sobre o Brasil, a HRW defende uma reformulação nas políticas de segurança pública do país de forma geral, com destaque para as facções criminosas e sua entrada, direta ou indireta, no Estado.
A ONG sugere que as autoridades brasileiras conduzam "investigações aprofundadas e baseadas na inteligência" para identificar vínculos entre criminosos e pessoas que fazem parte do poder público.
"As facções cooptam agentes públicos para proteger as suas atividades ilícitas. Essa infiltração no poder público às vezes também envolve políticos, principalmente a nível local. Essa é uma face muito perigosa do crime organizado, pois pode corromper as instituições por dentro", afirma o diretor da ONG.
O relatório destaca ainda que a segurança será "questão importante" na eleição para presidente do Brasil, em outubro. O assunto lidera os temas de maior preocupação dos brasileiros, segundo pesquisas de opinião mais recentes.
De acordo com levantamento da Ipsos-Ipec desta segunda-feira (2), 41% dos brasileiros consideram crime e violência as principais preocupações no país
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