Paciente de 21 anos é a primeira pessoa a receber tratamento com polilamina no Tocantins
03/04/2026
(Foto: Reprodução) Jovem paraplégica recebe injeção de polilaminina no HGP
A jovem Sindy Mirela Santos Silva, de 21 anos, recebeu um tratamento experimental inédito no Tocantins para tentar recuperar movimentos perdidos após uma lesão na medula. O procedimento foi realizado nesta quinta-feira (2), no Hospital Geral de Palmas (HGP), com a aplicação de uma substância chamada polilaminina – veja mais sobre o procedimento abaixo.
A aplicação traz esperança para a família após meses de incerteza. Sindy ficou paraplégica em janeiro deste ano, após um grave acidente de carro. Emocionada, ela conta que o procedimento pode abrir portas para outras pessoas.
"Para mim, foi como estar me afogando e passar um navio para me tirar de lá, porque a gente tem muita expectativa. Meu sentimento hoje é de gratidão, primeiramente, a Deus. Ser a primeira do Tocantins, eu acredito, vai abrir portas para que outras pessoas também tenham acesso", afirma a jovem.
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Ledjane Bezerra da Silva, mãe, ao lado da filha Sindy, no HGP
Bruno Lacerda - Governo do Estado
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Entenda como funciona
A substância foi injetada diretamente no local da lesão, no setor de hemodinâmica do HGP. Para garantir precisão, os médicos utilizaram tecnologias de imagem, como o raio-X. Segundo o neurocirurgião responsável, Luiz Felipe Lobo Ferreira, o método é simples e pouco agressivo para o paciente.
"A aplicação é feita com a paciente de lado, com sedação leve e sem necessidade de cortes. Utilizamos uma injeção diretamente na coluna, guiada por imagem, para alcançar exatamente a área da lesão na medula", detalha o médico.
O médico Arthur Luiz Freitas Forte integra a equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criadora da substância. Ele explica que a polilaminina serve para proteger e recuperar os tecidos da medula.
"O que conseguimos foi transformar essa proteína em uma forma estável, que pode atuar na regeneração dos neurônios lesionados e também proteger as células que ainda estão viáveis. A expectativa não é falar em cura, mas em melhora da qualidade de vida, com possíveis ganhos de movimento, controle corporal e independência", detalha Forte.
Saiba mais sobre a pesquisa
A polilaminina é uma versão sintética da laminina, uma proteína que o corpo humano já produz para organizar o sistema nervoso. O estudo teve início há quase 30 anos na UFRJ. A substância ajuda a recuperar os axônios, que funcionam como uma "ponte" para transmitir informações entre os neurônios.
Polilaminina: a esperança no centro de uma corrida na Justiça
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